Dá-me a tua mão*…

26 de agosto de 2023. Não acredito na ressurreição. Não vejo forma de, quando o coração deixar de ditar o seu ritmo, voltar a fazê-lo. Pelo menos, com a força suficiente para vibrar. Para colocar todos os outros órgãos em funcionamento. Para viver. Outra vez. Sem que o seu coração tenha ressuscitado, o Elísio voltouContinue a ler “Dá-me a tua mão*…”

O gosto de comer

A minha avó materna sempre disse, com aquele seu tom muito assertivo que tão bem a caracteriza… “Eu só como porque tem de ser. Não o faço por prazer. Preciso de me alimentar para viver.” Não foi incoerente. Sempre foi assim. Desde que nasci, que me lembro de ser assim. Sempre se sentou à mesaContinue a ler “O gosto de comer”

Portalegre é Portugal concentrado

São 483 metros acima do mar. É a altitude desta terra alentejana. Portalegre viu-me nascer. Para sul e oeste, quase se perde a linha do horizonte. É o infinito para os olhos, característica, essa, ímpar do Alentejo. A planície espraia-se, como se ali estivesse, apenas, para molhar os pés da cidade. Para norte e este,Continue a ler “Portalegre é Portugal concentrado”

O Senhor Vidal ganhou o dia

Numa pequena aldeia perto da fronteira com Espanha, o nome não é convidativo. Não sei se acontece a quem lá mora ou a quem lá vai. Degolados, está inscrito à entrada desta localidade. Acredito que não se aplique nem aos habitantes, nem aos visitantes. Eu, que passo lá amiúde, nunca senti a fina lâmina noContinue a ler “O Senhor Vidal ganhou o dia”

As palavras que me saciam

Plasmar no papel aquilo que vejo, que sinto, que vivo é uma forma, quase, de libertação. Nunca fui miúdo, adolescente ou adulto de escrever diários. Mas, vá-se lá saber porquê, e depois de muitos anos a dizer que queria ser advogado, e de uns tempos a confessar que, afinal, o que eu gostava mesmo eraContinue a ler “As palavras que me saciam”