Quando se desligou a luz já passava das duas da manhã, menos uma em Portugal Continental. Não se ouvia vivalma em Ciudad Real, mas, se tudo fazia crer que iria ferrar-me de imediato, foi difícil entrar no sono. O dia tinha sido grande. Levantar cedo. Manter a rotina e, ao serão, percorrer quase 400 quilómetrosContinue a ler “Alimenta-te. A noite foi curta e o dia é longo.”
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No início está o quilómetro zero
A ideia surgiu com tempo. Meses antes. Recém-encartados, a ideia de fazermos a primeira viagem de moto juntos começou a ganhar forma. Seria uma viagem sem planos. Esperámos pelos dias maiores, mais soalheiros e pelas temperaturas mais amenas. Ou quentes. Também esperámos pelo regresso a uma quase normalidade, depois de meses de confinamento e restriçõesContinue a ler “No início está o quilómetro zero”
A casa às costas (parte 1)
Em meados de agosto está calor em Portugal. Recordo-me que, em criança, era habitual, ao fim da tarde, soarem potentes trovões acompanhados pela chuva, daquela em que as pingas são tão grossas que repassam a camisola que nos cobria o tronco. Continuávamos a jogar à bola até que um adulto, da varanda ou da portaContinue a ler “A casa às costas (parte 1)”
Família de cozinheiros
Linhagem. Uma série de gerações. A ligação familiar. Cá por casa, temos vários cozinheiros. A minha avó paterna, a Dona Benedita, sempre teve mão. O fogão. Esse objecto inanimado ganhou vida quando lhe acendia o lume. As memórias são quase infinitas. Dos bifes de molho com batatas fritas às azevias e filhós. Estas últimas, fazia-lasContinue a ler “Família de cozinheiros”
A Estrela que domina o balcão
A Vargem é um daqueles lugares que vê muita gente passar mas, com excepção dos que ali vivem, poucos param. Há, naquela pequena povoação, três cafés. A organização é simples e de fazer inveja a muitos planos de ordenamento do território. Há um em cada entrada e um terceiro no largo da aldeia. Neste primeiroContinue a ler “A Estrela que domina o balcão”
A estrada do engenheiro inglês
1992. É final da tarde. O fim-de-semana passou a correr. O tempo está seco e a estrada também. Ao volante do Ford Fiesta cinza prata está a avó Adelaide. Aquela mulher assertiva que determina, que decide, que sabe para onde quer ir. O destino, desta vez, é simples e claro. Vai deixar-me em casa porqueContinue a ler “A estrada do engenheiro inglês”
Escrevo o Douro em noite de suão
Escrevo estas linhas, sentado em frente ao computador, embalado pelo vento forte que se faz sentir lá fora. Talvez não me exprima da melhor forma. Embalado não será a palavra mais apropriada para descrever as fortes rajadas que chegam a assustar. A janela está entreaberta e contribui para que o som violento penetre sala dentroContinue a ler “Escrevo o Douro em noite de suão”
Esta estrada é especial
Tem como nome N359. Mas confesso que nunca falei dela assim. Para mim sempre foi a rampa. E desperta-me memórias cheias de significado. Rampa porque, quando era miúdo, era num troço de cinco quilómetros que aí se realizava a Rampa de Portalegre, prova de automobilismo, do campeonato de montanha, organizada pelo Grupo de Promoção AutomobilísticaContinue a ler “Esta estrada é especial”
A praia que nos desliga
É com preguiça que começo estas linhas. Não sei se é o calor. Não sei se é o que denominamos de “modo férias”. Haverá uma razão. Não a consigo identificar. Sei, isso sei, que não tenho tido vontade de escrever. Nestas férias em que o telemóvel, infelizmente, ainda não parou de tocar, em que oContinue a ler “A praia que nos desliga”
O plano de uma viagem sem planos
Este texto começou a ganhar vida há, mais ou menos, um ano. Almoço em casa do Filipe. Churrasco. Mesa posta. Miúdos felizes, a brincar. – “Vou tirar a carta de moto. Não queres tirar, também?” A afirmação seguida de interrogação tinha mais argumentos. “Falei com o Morgado que também quer tirar. E o Miguel”, concretizouContinue a ler “O plano de uma viagem sem planos”