Escrevo estas linhas, sentado em frente ao computador, embalado pelo vento forte que se faz sentir lá fora. Talvez não me exprima da melhor forma. Embalado não será a palavra mais apropriada para descrever as fortes rajadas que chegam a assustar. A janela está entreaberta e contribui para que o som violento penetre sala dentroContinue a ler “Escrevo o Douro em noite de suão”
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Alentejo suspenso
Construída em 1957, durante o período do Estado Novo, a Ponte do Ervedal liga duas margens da barragem do Maranhão, lago artifical situado no concelho de Avis que se tornou realidade, precisamente, no ano em que esta ligação suspensa ficou concluída. Numa breve pesquisa, não é claro que esta ponte, projectada por Edgar Cardoso, tenhaContinue a ler “Alentejo suspenso”
Esta estrada é especial
Tem como nome N359. Mas confesso que nunca falei dela assim. Para mim sempre foi a rampa. E desperta-me memórias cheias de significado. Rampa porque, quando era miúdo, era num troço de cinco quilómetros que aí se realizava a Rampa de Portalegre, prova de automobilismo, do campeonato de montanha, organizada pelo Grupo de Promoção AutomobilísticaContinue a ler “Esta estrada é especial”
A praia que nos desliga
É com preguiça que começo estas linhas. Não sei se é o calor. Não sei se é o que denominamos de “modo férias”. Haverá uma razão. Não a consigo identificar. Sei, isso sei, que não tenho tido vontade de escrever. Nestas férias em que o telemóvel, infelizmente, ainda não parou de tocar, em que oContinue a ler “A praia que nos desliga”
O plano de uma viagem sem planos
Este texto começou a ganhar vida há, mais ou menos, um ano. Almoço em casa do Filipe. Churrasco. Mesa posta. Miúdos felizes, a brincar. – “Vou tirar a carta de moto. Não queres tirar, também?” A afirmação seguida de interrogação tinha mais argumentos. “Falei com o Morgado que também quer tirar. E o Miguel”, concretizouContinue a ler “O plano de uma viagem sem planos”
Isto é um pôr-do-sol
Pensar em grande não é bem isto. Querer ser grande, também não. Esta tendência que existe em Portugal de recorrermos a estrangeirismos por tudo e por nada deveria ser motivo para estudos. Se calhar, já aconteceu. Mas não sei, e gostava de saber, porque é que temos por hábito dizer que vamos a um sunset,Continue a ler “Isto é um pôr-do-sol”
Do meu Evereste vê-se o mundo
O ponto mais alto do mundo fica tão longe da minha vida. Lá longe há uma montanha tão alta que, dizem, custa a respirar. Na minha vida, o ponto mais alto é tão mais pequeno que o Evereste como é grande para quem o ladeia. Sempre que chego lá acima sem apoio ou ajuda, oContinue a ler “Do meu Evereste vê-se o mundo”
O gosto de comer
A minha avó materna sempre disse, com aquele seu tom muito assertivo que tão bem a caracteriza… “Eu só como porque tem de ser. Não o faço por prazer. Preciso de me alimentar para viver.” Não foi incoerente. Sempre foi assim. Desde que nasci, que me lembro de ser assim. Sempre se sentou à mesaContinue a ler “O gosto de comer”
Portalegre é Portugal concentrado
São 483 metros acima do mar. É a altitude desta terra alentejana. Portalegre viu-me nascer. Para sul e oeste, quase se perde a linha do horizonte. É o infinito para os olhos, característica, essa, ímpar do Alentejo. A planície espraia-se, como se ali estivesse, apenas, para molhar os pés da cidade. Para norte e este,Continue a ler “Portalegre é Portugal concentrado”