Pringá

Cresci a ouvir, de vários amigos e conhecidos, sempre que dizia ter ido ao outro lado da fronteira, que a comida espanhola não prestava. Sempre discordei. Para mim, os rituais que implicavam passar o controlo fronteiriço, fosse com os meus pais ou com os meus avós, eram muito mais do que mostrar os documentos àsContinue a ler “Pringá”

Escrita

Não foi um divórcio. Não foi uma separação. Na verdade, tenho andado desligado deste espaço. Seja por preguiça. Seja por falta de vontade. Seja porque o tempo me foge por entre os dedos, como aquela areia fina que só sinto naqueles dias quentes das férias de Verão. A Larica tem estado entregue à sua mercê.Continue a ler “Escrita”

O charme grisalho… da minha avó

Este título ganhou forma faz quase um ano. Foi em Agosto. Mais precisamente no dia 20, que abri esta janela e escrevi este título. Assim ficou. O charme grisalho. Queria destacar o teu cabelo branco. Mas não era bem o cabelo que interessava. Era a tua maneira de ser, tão particular. Ao ponto de, esseContinue a ler “O charme grisalho… da minha avó”

Acorda com vista rio (e a casa às costas – parte 4)

Acorda. Suave e lentamente. Ouvem-se pessoas nas imediações. Como não? Estamos em pleno centro da vila. É domingo de manhã. Há mercado de produtos locais, artesanais e tradicionais. A descrição é o do início de um qualquer dia em tantas outras localidades do país. Mas saímos do leito para fazer o pequeno-almoço e, mal espreitamosContinue a ler “Acorda com vista rio (e a casa às costas – parte 4)”

Descobertas com a casa às costas (parte 3)

Descansados. Revigorados. O ar que humedece com o Tejo torna esta manhã de agosto mais do que apenas tolerável. É muito agradável. Do outro lado vê-se o Alentejo. Aqui começa a Beira. Esta é a Baixa. O caminho leva-nos ao Pinhal Interior. Com a casa às costas, a regra é evitar as auto-estradas. Andar rumoContinue a ler “Descobertas com a casa às costas (parte 3)”

Alimenta-te. A noite foi curta e o dia é longo.

Quando se desligou a luz já passava das duas da manhã, menos uma em Portugal Continental. Não se ouvia vivalma em Ciudad Real, mas, se tudo fazia crer que iria ferrar-me de imediato, foi difícil entrar no sono. O dia tinha sido grande. Levantar cedo. Manter a rotina e, ao serão, percorrer quase 400 quilómetrosContinue a ler “Alimenta-te. A noite foi curta e o dia é longo.”

A casa às costas (parte 1)

Em meados de agosto está calor em Portugal. Recordo-me que, em criança, era habitual, ao fim da tarde, soarem potentes trovões acompanhados pela chuva, daquela em que as pingas são tão grossas que repassam a camisola que nos cobria o tronco. Continuávamos a jogar à bola até que um adulto, da varanda ou da portaContinue a ler “A casa às costas (parte 1)”

Família de cozinheiros

Linhagem. Uma série de gerações. A ligação familiar. Cá por casa, temos vários cozinheiros. A minha avó paterna, a Dona Benedita, sempre teve mão. O fogão. Esse objecto inanimado ganhou vida quando lhe acendia o lume. As memórias são quase infinitas. Dos bifes de molho com batatas fritas às azevias e filhós. Estas últimas, fazia-lasContinue a ler “Família de cozinheiros”

A Estrela que domina o balcão

A Vargem é um daqueles lugares que vê muita gente passar mas, com excepção dos que ali vivem, poucos param. Há, naquela pequena povoação, três cafés. A organização é simples e de fazer inveja a muitos planos de ordenamento do território. Há um em cada entrada e um terceiro no largo da aldeia. Neste primeiroContinue a ler “A Estrela que domina o balcão”

A estrada do engenheiro inglês

1992. É final da tarde. O fim-de-semana passou a correr. O tempo está seco e a estrada também. Ao volante do Ford Fiesta cinza prata está a avó Adelaide. Aquela mulher assertiva que determina, que decide, que sabe para onde quer ir. O destino, desta vez, é simples e claro. Vai deixar-me em casa porqueContinue a ler “A estrada do engenheiro inglês”