Lembras-te?

Trabalhadora, regrada, tenaz. Sempre olhei para ti e vi-te como alguém que diria boa tarde no final da madrugada, já as horas de trabalho iam longas. Não te acompanhei nos tempos da cozinha de restaurante, como no Estrela, mas sentia essa produtividade que fervilhava naquela cozinha minúscula, com um pequeno fogão e uma simples bancadaContinue a ler “Lembras-te?”

Dá-me a tua mão*…

26 de agosto de 2023. Não acredito na ressurreição. Não vejo forma de, quando o coração deixar de ditar o seu ritmo, voltar a fazê-lo. Pelo menos, com a força suficiente para vibrar. Para colocar todos os outros órgãos em funcionamento. Para viver. Outra vez. Sem que o seu coração tenha ressuscitado, o Elísio voltouContinue a ler “Dá-me a tua mão*…”

Sinto que se foi um amigo…

Em plena adolescência, entraste em minha casa, juntamente com os teus amigos, com um som que, para mim, era diferente, irreverente. Passei a ouvir o que vocês tinham criado uma e outra vez sem parar. A relação entre mim e a vossa música passou a ser quase patológica. Ouvia-vos sem pausas. Sem interlúdios. Em casa,Continue a ler “Sinto que se foi um amigo…”

Será, talvez, em nome da mãe…

Não conheço bem a Marisa e o Francesco. Sei que ela e ele abrem as portas, quase todos os dias da semana, de Tua Madre, um pequeno restaurante numa das ruas mais peculiares de Évora, em pleno centro histórico, a meia dúzia de passos da Praça do Geraldo. Comecei a segui-los faz tempo. Cheguei, inclusivamente,Continue a ler “Será, talvez, em nome da mãe…”

Pringá

Cresci a ouvir, de vários amigos e conhecidos, sempre que dizia ter ido ao outro lado da fronteira, que a comida espanhola não prestava. Sempre discordei. Para mim, os rituais que implicavam passar o controlo fronteiriço, fosse com os meus pais ou com os meus avós, eram muito mais do que mostrar os documentos àsContinue a ler “Pringá”

Escrita

Não foi um divórcio. Não foi uma separação. Na verdade, tenho andado desligado deste espaço. Seja por preguiça. Seja por falta de vontade. Seja porque o tempo me foge por entre os dedos, como aquela areia fina que só sinto naqueles dias quentes das férias de Verão. A Larica tem estado entregue à sua mercê.Continue a ler “Escrita”

O charme grisalho… da minha avó

Este título ganhou forma faz quase um ano. Foi em Agosto. Mais precisamente no dia 20, que abri esta janela e escrevi este título. Assim ficou. O charme grisalho. Queria destacar o teu cabelo branco. Mas não era bem o cabelo que interessava. Era a tua maneira de ser, tão particular. Ao ponto de, esseContinue a ler “O charme grisalho… da minha avó”

Acorda com vista rio (e a casa às costas – parte 4)

Acorda. Suave e lentamente. Ouvem-se pessoas nas imediações. Como não? Estamos em pleno centro da vila. É domingo de manhã. Há mercado de produtos locais, artesanais e tradicionais. A descrição é o do início de um qualquer dia em tantas outras localidades do país. Mas saímos do leito para fazer o pequeno-almoço e, mal espreitamosContinue a ler “Acorda com vista rio (e a casa às costas – parte 4)”

Descobertas com a casa às costas (parte 3)

Descansados. Revigorados. O ar que humedece com o Tejo torna esta manhã de agosto mais do que apenas tolerável. É muito agradável. Do outro lado vê-se o Alentejo. Aqui começa a Beira. Esta é a Baixa. O caminho leva-nos ao Pinhal Interior. Com a casa às costas, a regra é evitar as auto-estradas. Andar rumoContinue a ler “Descobertas com a casa às costas (parte 3)”

Acorda (A casa às costas – parte 2)

Gosto de acordar. Gosto da sensação de aconchego dos lençóis, do edredão, do saco-cama. Assim, já desmanchados. Mas aconchegantes. Gosto de me espreguiçar, ainda deitado. Gosto de acordar às escuras. Gosto de acordar e ver a luz a passar pelos buraquinhos das persianas. Gosto de ouvir a chuva a cair, com força, lá fora. GostoContinue a ler “Acorda (A casa às costas – parte 2)”