Família de cozinheiros

Linhagem. Uma série de gerações. A ligação familiar. Cá por casa, temos vários cozinheiros. A minha avó paterna, a Dona Benedita, sempre teve mão. O fogão. Esse objecto inanimado ganhou vida quando lhe acendia o lume. As memórias são quase infinitas. Dos bifes de molho com batatas fritas às azevias e filhós. Estas últimas, fazia-lasContinue a ler “Família de cozinheiros”

A Estrela que domina o balcão

A Vargem é um daqueles lugares que vê muita gente passar mas, com excepção dos que ali vivem, poucos param. Há, naquela pequena povoação, três cafés. A organização é simples e de fazer inveja a muitos planos de ordenamento do território. Há um em cada entrada e um terceiro no largo da aldeia. Neste primeiroContinue a ler “A Estrela que domina o balcão”

A estrada do engenheiro inglês

1992. É final da tarde. O fim-de-semana passou a correr. O tempo está seco e a estrada também. Ao volante do Ford Fiesta cinza prata está a avó Adelaide. Aquela mulher assertiva que determina, que decide, que sabe para onde quer ir. O destino, desta vez, é simples e claro. Vai deixar-me em casa porqueContinue a ler “A estrada do engenheiro inglês”

Escrevo o Douro em noite de suão

Escrevo estas linhas, sentado em frente ao computador, embalado pelo vento forte que se faz sentir lá fora. Talvez não me exprima da melhor forma. Embalado não será a palavra mais apropriada para descrever as fortes rajadas que chegam a assustar. A janela está entreaberta e contribui para que o som violento penetre sala dentroContinue a ler “Escrevo o Douro em noite de suão”

Esta estrada é especial

Tem como nome N359. Mas confesso que nunca falei dela assim. Para mim sempre foi a rampa. E desperta-me memórias cheias de significado. Rampa porque, quando era miúdo, era num troço de cinco quilómetros que aí se realizava a Rampa de Portalegre, prova de automobilismo, do campeonato de montanha, organizada pelo Grupo de Promoção AutomobilísticaContinue a ler “Esta estrada é especial”

A praia que nos desliga

É com preguiça que começo estas linhas. Não sei se é o calor. Não sei se é o que denominamos de “modo férias”. Haverá uma razão. Não a consigo identificar. Sei, isso sei, que não tenho tido vontade de escrever. Nestas férias em que o telemóvel, infelizmente, ainda não parou de tocar, em que oContinue a ler “A praia que nos desliga”

O plano de uma viagem sem planos

Este texto começou a ganhar vida há, mais ou menos, um ano. Almoço em casa do Filipe. Churrasco. Mesa posta. Miúdos felizes, a brincar. – “Vou tirar a carta de moto. Não queres tirar, também?” A afirmação seguida de interrogação tinha mais argumentos. “Falei com o Morgado que também quer tirar. E o Miguel”, concretizouContinue a ler “O plano de uma viagem sem planos”

Isto é um pôr-do-sol

Pensar em grande não é bem isto. Querer ser grande, também não. Esta tendência que existe em Portugal de recorrermos a estrangeirismos por tudo e por nada deveria ser motivo para estudos. Se calhar, já aconteceu. Mas não sei, e gostava de saber, porque é que temos por hábito dizer que vamos a um sunset,Continue a ler “Isto é um pôr-do-sol”

Do meu Evereste vê-se o mundo

O ponto mais alto do mundo fica tão longe da minha vida. Lá longe há uma montanha tão alta que, dizem, custa a respirar. Na minha vida, o ponto mais alto é tão mais pequeno que o Evereste como é grande para quem o ladeia. Sempre que chego lá acima sem apoio ou ajuda, oContinue a ler “Do meu Evereste vê-se o mundo”

O gosto de comer

A minha avó materna sempre disse, com aquele seu tom muito assertivo que tão bem a caracteriza… “Eu só como porque tem de ser. Não o faço por prazer. Preciso de me alimentar para viver.” Não foi incoerente. Sempre foi assim. Desde que nasci, que me lembro de ser assim. Sempre se sentou à mesaContinue a ler “O gosto de comer”