Trabalhadora, regrada, tenaz. Sempre olhei para ti e vi-te como alguém que diria boa tarde no final da madrugada, já as horas de trabalho iam longas. Não te acompanhei nos tempos da cozinha de restaurante, como no Estrela, mas sentia essa produtividade que fervilhava naquela cozinha minúscula, com um pequeno fogão e uma simples bancadaContinue a ler “Lembras-te?”
Category Archives: Pensa
Sinto que se foi um amigo…
Em plena adolescência, entraste em minha casa, juntamente com os teus amigos, com um som que, para mim, era diferente, irreverente. Passei a ouvir o que vocês tinham criado uma e outra vez sem parar. A relação entre mim e a vossa música passou a ser quase patológica. Ouvia-vos sem pausas. Sem interlúdios. Em casa,Continue a ler “Sinto que se foi um amigo…”
Este som azul
O perfume dos campos de algodão, a aspereza das mãos de trabalho… pobres, humanos de primeira, humanos de segunda. Tudo isto na terra das liberdades, do sonho. Nasceu aí, junto ao rio, um estilo, uma forma de fazer música. Em inglês deram-lhe o nome de blues. No plural. Somos de criar tabelas, determinar classificações ou,Continue a ler “Este som azul”
Escrita
Não foi um divórcio. Não foi uma separação. Na verdade, tenho andado desligado deste espaço. Seja por preguiça. Seja por falta de vontade. Seja porque o tempo me foge por entre os dedos, como aquela areia fina que só sinto naqueles dias quentes das férias de Verão. A Larica tem estado entregue à sua mercê.Continue a ler “Escrita”
O charme grisalho… da minha avó
Este título ganhou forma faz quase um ano. Foi em Agosto. Mais precisamente no dia 20, que abri esta janela e escrevi este título. Assim ficou. O charme grisalho. Queria destacar o teu cabelo branco. Mas não era bem o cabelo que interessava. Era a tua maneira de ser, tão particular. Ao ponto de, esseContinue a ler “O charme grisalho… da minha avó”
Escrevo o Douro em noite de suão
Escrevo estas linhas, sentado em frente ao computador, embalado pelo vento forte que se faz sentir lá fora. Talvez não me exprima da melhor forma. Embalado não será a palavra mais apropriada para descrever as fortes rajadas que chegam a assustar. A janela está entreaberta e contribui para que o som violento penetre sala dentroContinue a ler “Escrevo o Douro em noite de suão”
A praia que nos desliga
É com preguiça que começo estas linhas. Não sei se é o calor. Não sei se é o que denominamos de “modo férias”. Haverá uma razão. Não a consigo identificar. Sei, isso sei, que não tenho tido vontade de escrever. Nestas férias em que o telemóvel, infelizmente, ainda não parou de tocar, em que oContinue a ler “A praia que nos desliga”
Isto é um pôr-do-sol
Pensar em grande não é bem isto. Querer ser grande, também não. Esta tendência que existe em Portugal de recorrermos a estrangeirismos por tudo e por nada deveria ser motivo para estudos. Se calhar, já aconteceu. Mas não sei, e gostava de saber, porque é que temos por hábito dizer que vamos a um sunset,Continue a ler “Isto é um pôr-do-sol”
Portalegre é Portugal concentrado
São 483 metros acima do mar. É a altitude desta terra alentejana. Portalegre viu-me nascer. Para sul e oeste, quase se perde a linha do horizonte. É o infinito para os olhos, característica, essa, ímpar do Alentejo. A planície espraia-se, como se ali estivesse, apenas, para molhar os pés da cidade. Para norte e este,Continue a ler “Portalegre é Portugal concentrado”
As palavras que me saciam
Plasmar no papel aquilo que vejo, que sinto, que vivo é uma forma, quase, de libertação. Nunca fui miúdo, adolescente ou adulto de escrever diários. Mas, vá-se lá saber porquê, e depois de muitos anos a dizer que queria ser advogado, e de uns tempos a confessar que, afinal, o que eu gostava mesmo eraContinue a ler “As palavras que me saciam”