Tem como nome N359. Mas confesso que nunca falei dela assim. Para mim sempre foi a rampa. E desperta-me memórias cheias de significado. Rampa porque, quando era miúdo, era num troço de cinco quilómetros que aí se realizava a Rampa de Portalegre, prova de automobilismo, do campeonato de montanha, organizada pelo Grupo de Promoção AutomobilísticaContinue a ler “Esta estrada é especial”
Author Archives: João Picado
A praia que nos desliga
É com preguiça que começo estas linhas. Não sei se é o calor. Não sei se é o que denominamos de “modo férias”. Haverá uma razão. Não a consigo identificar. Sei, isso sei, que não tenho tido vontade de escrever. Nestas férias em que o telemóvel, infelizmente, ainda não parou de tocar, em que oContinue a ler “A praia que nos desliga”
O plano de uma viagem sem planos
Este texto começou a ganhar vida há, mais ou menos, um ano. Almoço em casa do Filipe. Churrasco. Mesa posta. Miúdos felizes, a brincar. – “Vou tirar a carta de moto. Não queres tirar, também?” A afirmação seguida de interrogação tinha mais argumentos. “Falei com o Morgado que também quer tirar. E o Miguel”, concretizouContinue a ler “O plano de uma viagem sem planos”
Isto é um pôr-do-sol
Pensar em grande não é bem isto. Querer ser grande, também não. Esta tendência que existe em Portugal de recorrermos a estrangeirismos por tudo e por nada deveria ser motivo para estudos. Se calhar, já aconteceu. Mas não sei, e gostava de saber, porque é que temos por hábito dizer que vamos a um sunset,Continue a ler “Isto é um pôr-do-sol”
Do meu Evereste vê-se o mundo
O ponto mais alto do mundo fica tão longe da minha vida. Lá longe há uma montanha tão alta que, dizem, custa a respirar. Na minha vida, o ponto mais alto é tão mais pequeno que o Evereste como é grande para quem o ladeia. Sempre que chego lá acima sem apoio ou ajuda, oContinue a ler “Do meu Evereste vê-se o mundo”
O gosto de comer
A minha avó materna sempre disse, com aquele seu tom muito assertivo que tão bem a caracteriza… “Eu só como porque tem de ser. Não o faço por prazer. Preciso de me alimentar para viver.” Não foi incoerente. Sempre foi assim. Desde que nasci, que me lembro de ser assim. Sempre se sentou à mesaContinue a ler “O gosto de comer”
Portalegre é Portugal concentrado
São 483 metros acima do mar. É a altitude desta terra alentejana. Portalegre viu-me nascer. Para sul e oeste, quase se perde a linha do horizonte. É o infinito para os olhos, característica, essa, ímpar do Alentejo. A planície espraia-se, como se ali estivesse, apenas, para molhar os pés da cidade. Para norte e este,Continue a ler “Portalegre é Portugal concentrado”
O Senhor Vidal ganhou o dia
Numa pequena aldeia perto da fronteira com Espanha, o nome não é convidativo. Não sei se acontece a quem lá mora ou a quem lá vai. Degolados, está inscrito à entrada desta localidade. Acredito que não se aplique nem aos habitantes, nem aos visitantes. Eu, que passo lá amiúde, nunca senti a fina lâmina noContinue a ler “O Senhor Vidal ganhou o dia”
As palavras que me saciam
Plasmar no papel aquilo que vejo, que sinto, que vivo é uma forma, quase, de libertação. Nunca fui miúdo, adolescente ou adulto de escrever diários. Mas, vá-se lá saber porquê, e depois de muitos anos a dizer que queria ser advogado, e de uns tempos a confessar que, afinal, o que eu gostava mesmo eraContinue a ler “As palavras que me saciam”