Tudo se passa e não se passa coisa nenhuma. São minutos, horas de espera, de momentos suspensos. Sentados nos bancos, nas cadeiras, nos sofás. Caminham a passos descompassados meio perdidos. Deslocam-se a passos largos com uma meta definida. A maioria das burocracias está feita, concluída, concretizada. Ora porque as maravilhas da tecnologia simplificaram e anteciparam os processos. Ora porque esta paragem acontece porque se está em trânsito. Mas há sempre um mas. Porque o cartão não está na carteira, porque a etiqueta está num bolso das calças, da camisa ou do casaco. Sabe-se lá qual.
Há movimento. Há filas. Há corpos deitados, ensonados junto às paredes do edifício, em cantos recatados. Usam-se as técnicas e os truques possíveis para fintar o cansaço. Qualquer área menos sonora e luminosa é quase perfeita para a sesta que encurta a espera. As mochilas transformam-se nas almofadas mais confortáveis e os casacos protegem das correntes de ar.
Vagueio. Sento-me. No café, na sala de espera. Observo. Os olhos, não os meus, enfiam-se nos monitores dos telefones mais tenológicos, dos computadores. Cada vez são menos… os livros. Mas resistem. Nunca ficam sem bateria. Podem esgotar as páginas. Mas a carga não se vai, não se perde.
As mensagens sonoras são frequentes. Comuns. Informação da porta que se abre para quem segue para aquele lugar distante. Mensagens para acelerarem o passo. “Última chamada”, ouve-se dos altifalantes. As cabeças perdidas dividem energia e concentração com as pernas que aceleram o passo. “Não posso perder o avião”, encoam os pensamentos nas mentes de quem se atrasou no tempo.
A rotina dos terminais, o ritual do embarque…