Escrita

Não foi um divórcio. Não foi uma separação. Na verdade, tenho andado desligado deste espaço. Seja por preguiça. Seja por falta de vontade. Seja porque o tempo me foge por entre os dedos, como aquela areia fina que só sinto naqueles dias quentes das férias de Verão. A Larica tem estado entregue à sua mercê. Não que assuma o comando e tome conta do seu destino. Precisa, sempre, de mão humana para que haja novidades.

Já o disse. Não foi divórcio, nem foi separação. Não foi, também, por falta de tema ou de assunto. Nos últimos meses, tanto haveria para considerar, para relatar, para plasmar numa folha. Esta quebra de ligação foi uma realidade. Ponto.

No último Natal, o meu espírito mais infantil reapareceu. Dotes de engenharia e de construção foram recuperados como se tivesse 12 anos e aquele jipe da Lego Technic tivesse sido deixado debaixo da árvore. Por vontade dos meus avós e com uma ajuda de um velho barbudo que veste de vermelho. Foi um presente. Talvez um devaneio. Tenho, agora, a máquina de escrever que nunca tive. Não escreve. A fita não tem tinta. Mas todo o mecanismo funciona como se de uma Olivetti que uns amigos dos meus pais tinham – e que me fez gastar umas quantas folhas de papel – se tratasse.

Esta máquina de escrever não me deixa fazer o que faço neste preciso momento. Mas todo o processo de construção, perceber a forma como aquelas engrenagens se complementam e se transformam em mecanismos, não só me transportou para um mundo só meu, como voltou a despertar a vontade de escrever sem ter de ser, sem compromisso.

Pois esse desejo concretiza-se agora. Não numa tradicional máquina de escrever, nem na que, imitando as clássicas, foi montada por mim, em serões de concentração. Concretiza-se. Ponto. E que gozo isto me dá.

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