É com preguiça que começo estas linhas. Não sei se é o calor. Não sei se é o que denominamos de “modo férias”. Haverá uma razão. Não a consigo identificar. Sei, isso sei, que não tenho tido vontade de escrever.
Nestas férias em que o telemóvel, infelizmente, ainda não parou de tocar, em que o computador se ligou demasiadas vezes por questões profissionais, a escrita tem ficado de lado. Nem aqui, nem em papel. Em lado nenhum.
Procurei desligar nos dias de praia que tive neste verão. Ao ponto de, em alguns dias, ter deixado o telemóvel em casa. Não me lembro de quando é que isso tinha acontecido pela última vez. Este apêndice electrónico, que quase se funde connosco, esteve, mesmo que por momentos, a centenas de metros de distância.
Soube tão bem…
Na primeira vez em que o fiz, senti-me vazio. Como se me faltasse algo. Caramba. É só um telefone. Uma aparelho que nos liga a todo o lado, a toda a gente. Esse sentimento de perda é, neste contexto, positivo. Porque há alturas em que deixa de ser um capricho, uma simples vontade. Passa a ser uma necessidade.
A praia desligou-me do mundo. Por minutos, horas. Por momentos, alheei-me. Isolei-me. Perdi-me apenas com aqueles que estavam comigo. Não houve telefonemas, mensagens de texto, idas às diferentes redes sociais. Tornei-me numa espécie de eremita. Não que viva a religião do mar ou da praia. Mas enquanto ali estava, era eu, os meus e o mar. As centenas de pessoas que partilhavam o areal não contavam, sequer.