Pensar em grande não é bem isto. Querer ser grande, também não. Esta tendência que existe em Portugal de recorrermos a estrangeirismos por tudo e por nada deveria ser motivo para estudos. Se calhar, já aconteceu. Mas não sei, e gostava de saber, porque é que temos por hábito dizer que vamos a um sunset, em vez de explicarmos que a festa se realiza ao fim da tarde.
Quando atingimos níveis de excepção, conseguimos algo muito bom ou a comida está divinal, sai da boca de muitos portugueses um fácil “é top” ou “está top”. Poderia ser muito bom, fantástico, delicioso, especial, fabuloso. Mas não. É top. Simples. E pobre.
Chegamos ao extremo de, em instituições públicas, que deveriam ter por missão, entre outras, honrar a língua, organizarmos sunsets nos rooftops. Afinal, em Portugal, país com 800 quilómetros de costa para Oeste, parece que não há impressionantes pôr-do-sol e sejam poucos os edifícios com terraço. Talvez façamos isto porque, no nosso âmago, desejamos ser “cool”. Não nos chega ser originais, descontraídos e ter bom gosto. Ser cool é muito mais interessante, tão mais cosmopolita, tão mais internacional.
Admito que, se o nosso público-alvo for constituído, maioritariamente, por estrangeiros, que o recurso a estrangeirimos se justifique. Mas não é isso que acontece. E não é só ridículo. É menorizar a nossa língua e a nossa condição enquanto portugueses. É uma demonstração de pretensiosismo saloia. É parolo.
Gosto bastante de comer bruschettas quando vou a restaurantes italianos. Mas fico doente quando em espaços de comida portuguesa, mais ou menos tradicional, com ementas diárias simples ou mais elaboradas, não façam umas maravilhosas tibornas e importem o termo italiano. Se a palavra fosse feia. Se não tivéssemos uma, como acontece para pizza. Mas não é isso que acontece. Existe uma palavra lindíssima. Só a sua sonoridade nos conforta o estômago e nos antecipa o que podemos ter pela frente. O contexto é tão interessante e tínhamos de estragar tudo com uma bruschetta. Porra.